A Ordem do Tempo
(Trabalho apresentado na Conferência sobre A⸫ A⸫ em março de 2021.)
Ordenamentos de variados tipos figuram cotidianamente nas conversas e discussões entre os membros da comunidade esotérica e são o objeto de variados estudos e produções acadêmicas e artísticas. Sobre objetos em geral, os encontramos em esquemas, diagramas e tabelas, como a notória “árvore da vida”. Sobre as pessoas em sociedade, os encontramos em estruturas hierárquicas bem definidas, as fraternidades e as Ordens.
Nesse último sentido, Ordem tem como característica típica a distribuição dos sujeitos em posições bem definidas dentro de uma estrutura organizacional hierárquica ou vertical. Podemos traçar a longa história dessa ideia de “Ordem”, através da história, atravessando as ordens cenobíticas, comunidades de noviços e monges governados pelo Abade e pela Regra, e as guildas de artesãos, compostas em sua maioria de aprendizes e artesãos plenos governados por uma elite ou conselhoe de mestres-artesãos e pelo Estatuto. Assim também, em suas variadas formas, as Ordens apresentam estruturas hierárquicas onde encontramos seus membros diversamente distribuídos em posições abaixo de e sob o governo de um ou mais Mestres.
Este caráter dialoga com um elemento típico do pensamento ocidental: a constituição do universo como uma grande scala naturæ, um universo criado pelo ens perfectissimum, o primum mobile, o incriado criador, de “degrau” em “degrau”, de elo em elo, de nível em nível de perfeição, do mais elevado e sublime até o mais ínfimo e desgraçado. Em seu pioneiro estudo sobre a história desta concepção, Arthur Lovejoy analisa essa concepção, identificando seus elementos, e evidencia sua presença no pensamento ocidental a partir de seu registro nos diálogos de Platão até o Romantismo do século XIX. Wouter Hanegraaf, refletindo sobre o assunto, define: “the ‘great chain of being’: the boundless creativity of the divine source was believed to have resulted in the enourmous diversity of the universe, from the most exalted angelic intelligences to the lowest animal creatures, all of which had their divinely appointed place in an ordered hierarchy that stretched out between the ultimate poles of spirit and matter.”
A concepção do universo como uma hierarquia onde cada ser ocupa o seu devido lugar harmoniza bem com uma sociedade altamente estratificada com mínima mobilidade social. Assim como através da potência geradora do ens perfectissimum toda a grande cadeia de seres deve sua existência, também através da potência do rei toda a sociedade medieval, do mais nobre duque ao mais miserável mendigo, deve o seu ordenamento. Assim como todos os seres na grande scala naturæ ocupam o seu devido lugar, também todos os sujeitos na sociedade humana ocupam sua devida posição, camponeses e nobres, noviços e monges, aprendizes e artesãos.
Nos tempos atuais, um dos grandes protótipos para a organização de sociedades de esotéricos é a “Hermetic Order of the Golden Dawn”, da qual diversas organizações atualmente em atividade derivam a sua forma, como é o caso da A⸫ A⸫. Sua história se mistura com aquela do “rosicrucianismo”, cujas linhas gerais podem ser encontradas na obra de Christopher McIntosh.
Uma das suas mais antigas referências ocorre em um manuscrito preservado na Biblioteca Nazionale di Napoli, datado de 1678, onde, entre outros textos, encontramos as “Osservationi inviolabili da osservarsi dalli Fratelli dell’aurea croce ò vero dell’aurea rosa, precedenti la solita professione”, editado Alessandro Boella e Antonella Galli. Neste Estatuto, composto por 47 regras, encontramos regramento similar aquele de um monastério: uma comunidade de noviços e fratri governados por um imperatore. Reencontramos as regras destes fratelli no “Gesetze oder Reguln der Brüderschafft des göldnen Creutzes”, de Sincerus Renatus, publicado em 1710, atualmente disponível em facsimile digital pela Bayerische Staatsbibliothek e em uma tradução para o inglês editada por R. A. Gilbert.
Décadas depois, emerge em terras germânicas a “Orden der Gold- und Rosenkreuzer”. Em sua obras sobre a história do Rosicrucianismo, Cristopher McIntosh dá um relato da estrutura da Orden com base em um documento entitulado “Pro Concordia Fratrum R. et A. Crucis, Planus principalis poſt Revolutionem univerſalem, A. D. 1767”, reproduzido ao final do panfleto “Rosenkreuzery” de Ignác Aurél Fessler, atualmente disponível em facsimile digital pela Bayerische Staatsbibliothek. Os membros da Ordem se distribuíam em nove graus de progressiva perfeição, desde o menor Junior até o mais elevado Majus. O membros organizavam-se em Círculos de até nove membros, cada Círculo governado por um Diretor, por sua vez responsável perante o Imperator. Encontramos estrutura similar quase um século depois na “Societas Rosicruciana in Anglia”, ainda em atividade, cujos nove graus se dividem em três sub-ordens, cada sub-ordem representando jurisdições progressivamente mais amplas, a menor ordem sobre um pequeno grupo de membros, a média ordem sobre diversas instâncias da menor ordem, e a suprema ordem sobre todas as inferiores, cada jurisdição com seu chefe, todos subordinados ao chefe supremo.
Apesar de acessíveis ao historiador, essas estruturas pertencem ao segredo ou intimidade das sociedades que correspondem, e mesmo suas publicações dirigem-se a esses membros. Após o cisma da “Hermetic Order of the Golden Dawn” no início do século XX, e a posterior publicação de um conjunto completo de documentos da Ordem, inclusive instruções e rituais secretos, iniciada por Aleister Crowley no “The Equinox”, essas estruturas caem definitivamente no domínio público. Esta ordem, conhecida informalmente como “Golden Dawn”, compõe-se de onze graus, do Neófito ao Ipssissimus, distribuídos em três sub-ordens, a “Hermetic Order of the Golden Dawn”, a “Order of the Rosy Cross” e uma misteriosa terceira ordem. Assim como as três sub-ordens representam uma hierarquia em níveis de perfeição, também os onze graus, e a grande estrutura de governo pela tríade Praemonstrator-Imperator-Cancellarius, e a pequena estrutura de governo das lojas ou templos onde ocorrem as atividades do dia a dia, cada pessoa sempre ocupando o seu devido e adequado lugar. Esta estrutura representa-se frequentemente pelo diagrama encontrado no “The Temple of Solomon the King”, parte 2, publicado no “The Equinox”, volume I, número 2, reproduzido abaixo do facsimile digital pelo projeto “Scans from the Equinox” do KeepSilence.org.

A hierarquia da antiga ordem.
Assim, encontramos sempre os seres e os sujeitos dispostos em uma estrutura hierárquica, iniciada ou encabeçada pelo mais perfeito, puro e potente, descendo de grau em grau até a extremidade inferior. Assim como na grande Ordem do mundo cada posição caracteriza-se por uma natureza com seus signos, também na pequena Ordem dos sujeitos humanos a cada posição correspondem palavras, cores, símbolos, vestimentas, armas, incensos, segredos, instruções, direitos e deveres, todas as coisas ligadas entre si porém separadas por fronteiras suficientemente caracterizadas. Assim, alcançamos a noção corrente do esquema da Ordem como “mapa” e uma construção invertida onde partimos do ordenamento dos sujeitos humanos para nele representar o grande Ordenamento do Universo.
A atitude de tomar a Ordem desta maneira, como um arranjo posicional dos sujeitos em postos hierárquicos representativos de graus de excelência ou perfeição, atesta-se pela maneira como seus membros aplicam esse princípio. Na comunidade maçônica, encontramos a prática de mútuo posicionamento, onde sujeitos de um certo grau de uma certa ordem são transpostos diretamente para um outro grau de uma outra ordem, através da identificação de uma regra de equivalência. Na A⸫ A⸫, há diversos casos de posicionamento direto por diferentes regras. Há dois casos notórios de posicionamento póstumo por obra publicada: Eliphas Levi posicionado 7○ = 4□ em função das obras “Dogme et Rituel de la Haute Magie” e “Clef des Grands Mystères”, e Helena Blavatsky posicionada 8○ = 3□ em função do “The Voice of the Silence”. Há pelo menos dois casos amplamente conhecidos de posicionamento por “reconhecimento especial”: Charles Stansfeld Jones posicionado 8○ = 3□ produzir a interpretação de Liber Legis pelo interpretante 31, e Karl Germer posicionado 8○ = 3□ pelos efeitos de sua experiência nos campos de concentração nazistas. Em todos esses casos, temos sujeitos comparados com uma regra que dá sua medida: este sujeito está aqui, aquele sujeito está ali, todos adequadamente posicionados na escala dos sujeitos. Esta prática leva à concepção do Sistema como uma Régua para medir Sujeitos.

A grande régua dos sujeitos.
É claro que, enquanto a scala naturæ implica todas as coisas estarem ou deverem estar no seu devido lugar, e todos estes arranjos e diagramas representarem estes devidos lugares e suas relações em imagens estáticas, o esoterismo está longe de asseverar ou exigir dos sujeitos a imobilidade. Muito pelo contrário; ao lado da imagem da “espada flamejante”, de cima para baixo, está a imagem do “dragão da sabedoria”, de baixo para cima. Ao analisar as visões de mundo próprias do esoterismo ocidental, Wouter Hanegraaf identifica uma dualidade radical. O “mundo” convencionalmente conhecido é o duplo, a imagem, o inferior de outro “mundo”, superior, verdadeiro, belo. O lugar do sujeito humano é este mundo inferior conforme designado pelo Criador no plano da criação.
É possível, porém, a este sujeito humano, fazer variar esta condição: existem condições de trânsito, de mobilidade dentro desta estrutura. No aglomerado de textos conhecidos como “hermetica”, encontramos doutrinas sobre a ascensão do ser humano na grande escada através de variadas técnicas de meditação, de renúncias, de mortificações, através do contato direto com as forças divinas etc. etc. Esta ideia de movimento vertical, quer seja pelo movimento ascendente do sujeito humano em direção ao divino, quer seja pelo movimento descendente do elemento divino para a humanidade, Hanegraaf denomina “mediação platônica” entre os dois elementos do dualismo esotérico.
Christopher McIntosh relata o processo pelo qual o jovem membro da “Orden der Gold- und Rosenkreuzer”, admitido ao grau de Junior, ascende através dos graus. O membro deve aplicar-se tanto ao estudo dos textos, livros e manuscritos, fornecidos pela Ordem, mas, também, realizar os experimentos alquímicos propostos e relatar o resultado. A ascensão dos membros através dos graus efetivava-se pela realização de cerimônias, com seus movimentos e dizeres, exames, juramentos, explicações e investiduras, que testemunham a linhagem maçônica da Orden.
Na “Hermetic Order of the Golden Dawn”, o jovem Neófito da primeira ordem dedica-se ao estudo das lições progressivamente acessadas através das cerimônias de iniciação de cada grau, sendo o acesso ao grau seguinte mediado por exames teóricos do grau anterior. Após a transição para a segunda ordem, espera-se que o jovem Adepto dedique-se a pôr em prática as lições aprendidas e ascender com base nos resultados práticos obtidos.
O plano de trabalho da primeira ordem da A⸫ A⸫ foi divulgado para o público em 1910 no livro “Graduum Montis Abiegnis”, in “The Equinox”, volume 1, número 3. Neste documento, subtitulado “um sumário dos passos no caminho”, encontramos declarações sucintas dos deveres de cada grau. Tomando o Practicus como exemplo, o membro deve estudar lições sobre Qabalah e liber DCCLXXVII, lições em meditação filosófica e jñana yoga, lições em algum modo de divinação de sua escolha, lições sobre o controle da fala; o membro será examinado destes tópicos e deve construir a Taça mágica. A ascenção se dará assim que seu orientador autorizar, supostamente em função da satisfação dos critérios que foram desenhados. Nenhum documento equivalente a “Graduum Montis Abiegni” foi oficialmente publicado com relação aos graus da segunda ordem.

A hierarquia da primeira ordem da A⸫ A⸫.
Em seguida, em 1912, a macro-estrutura da Ordem com suas três grandes divisões recebe uma descrição autoritativa na classe A com a divulgação do livro “Tau vel Kabbalae Trium Literarum” no “The Equinox”, volume 1, número 7. Neste documento, as três ordens são explicadas por sete interpretantes, cada par associado a uma letra do alfabeto hebraico, os 21 pares resumidos na última letra, ת. Temos, por exemplo, sobre as ordálios de iniciação: sob a letra ט, a terceira ordem, “nascimento”; sob a letra נ, a segunda ordem, “morte”, sob a letra ש, a primeira ordem, “ressurreição”.
O plano de trabalho recebeu elaboração adicional em 1930 com a publicação do artigo “One Star in Sight” entre os apêndices do “Magick in Theory and Practice”. Neste documento, o plano geral da ordem é desenhado, desde o Ipssissimus até o Neófito, com elaborações dos graus da terceira e segunda ordens, preenchendo o vazio deixado pelo “Graduum Montis Abiegni”.
Deste texto, o seguinte trecho trás um novo elemento: a ideia de evento.
The outline given of the several successive steps is exact; the two crises — the Angel and the Abyss — are necessary features in every career. The other tasks are not always accomplished in the order given here; one man, for example, may acquire many of the qualities peculiar to the Adeptus Major, and yet lack some of those proper to the Practicus. But the system here given shows the correct order of events, as they are arranged in Nature; and in no case is it safe for a man to neglect to master any single detail, however dreary and distasteful it may seem.
Reconhece-se o caráter do grau como a medida dos sujeitos: existem as “qualidades peculiares ao Adeptus Major” que um sujeito pode muito simplesmente possuir. Porém, a aquisição das qualidades peculiares, compreendida como um evento, possui uma posição correta no tempo: existem aquelas que é correto adquirir primeiro, aquelas que é correto adquirir depois, e então depois, e assim por diante. Em uma nota, o assunto é elaborado e a regra da Ordem tacitamente declarada.
The natural talents of individuals differ very widely. (…) a brilliant Exorcist might be an incompetent Diviner. In such a case the A⸫ A⸫ would refuse to swerve from Its system; the Aspirant would be compelled to remain at the Barrier until he succeeded in breaking it down, though a new incarnation were necessary to permit him to do so.
A única fraqueza nessas palavras é sua posição em uma nota de rodapé: o texto é exato e irredutível. O membro que não adquirir uma das qualidades necessárias da etapa atual, não importa quantas qualidades das etapas seguintes ele tenha, permanecerá na etapa atual. Esta regra conflita com a possibilidade de tomar o Sistema como uma mera Régua: mesmo que se meça o sujeito pelo Sistema e encontre nele as qualidades do grau 10, isso não é suficiente para que ele seja reconhecido como tal.
Existe uma ordem correta para a aquisição dessas características, independente do que porventura venha a acontecer por talento natural ou por acaso. A Ordem prescreve um percurso no tempo cujas etapas devem ser seguidas em ordem e cujo atravessamento será reconhecido em ordem. Este atravessamento descreve-se explicitamente como uma sucessão de eventos: o cumprimento da tarefa, a aquisição das qualidades, a ultrapassagem das barreiras são todos eventos.
De fato, a ideia de movimento implica a ideia de tempo. Havendo mobilidade na grande escada, havendo a possibilidade de o ínfimo ascender ou o superior ser trazido para baixo, há movimento, portanto progresso no tempo. Aparte fenômenos peculiares do mundo quântico, o movimento através do espaço ao longo do tempo atravessa todas as posições intermediárias: para partir daqui e chegar ali, percorre-se as posições intermediários. Alcançar o local intermediário é condição necessária para chegar no destino final.
Ao conceitualizar a solução de um problema ou realização de uma coisa pela metáfora de percorrer um percurso, representa-se por etapas intermediárias que é necessário alcançar aquelas coisas que são condição necessária para solucionar o problema ou realizar a coisa. A experiência comum encontra tais condições necessárias por toda parte e em todos os tempos; deve-se pre-aquecer o forno a uma temperatura adequada para cozinhar; deve-se usar uma força grande o suficiente para empurrar o carro enguiçado. Enquanto a representação tipicamente ocidental para hierarquias são figuras verticais, com Acima e Abaixo, a representação para as etapas de um processo são figuras horizontais, com Antes e Depois.

O processo da primeira ordem da A⸫ A⸫.
A compreensão do Sistema como a Ordem do Tempo oferece diversas novas possibilidades de análise e aplicação, em particular a perspectiva de processo em contraste com hierarquia, e a ideia de condição necessária em contraste com a ideia de méritos e dignidades. A partir dessas novas perspectivas, acreditamos ser possível encontrar novos entendimentos sobre a intencionalidade do Sistema e de suas partes constituintes em função do efeito peculiar que advém do ordenamento que lhe é peculiar. Além disso, acreditamos que a perspectiva temporal permite trazer uma nova leitura dessa estrutura para fora de “ser do grau” para “estar no grau”, o que nos parece muitíssimo proveitoso para aqueles que estiverem vivendo o processo que corresponde.
Notas
Bibliografia
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Wouter Hanegraaf, “Western Esotericism: a Guide for the Perplexed”, edição digital, Bloomsbury Academic, 2013, ISBN 1441136460